Eu nunca te traí! Não, jamais! Alô? Jamais traí você. Jamais. Eu disse jamaaaais. Como assim? De onde você tirou essas bobagens? Eu disse que a minha colega era o quê? Que link? Eu mandei link? Eu nunca mandei link. Nem sei de link. O que é mesmo um link? Eu disse que... Eu disse que... Alô? Eu disse que não sei o que é link! Como que eu sei que link se escreve com k? Porque eu não estou digitando, é a autora do texto quem está escrevendo isto. Mas amor, escuta, escuta... Por favor, escuta. Eu não sei do que você está falando. Juro! Eu não disse que a Susaneide era sua guampa! Eu disse que... Alô? Eu disse que ela QUERIA ser a tua guampa. Jamais trairia você, amor! Imagina! Um homem, do meu feitio, fazendo coisas de piá! Alô? Então, já que não confia na minha fidelidade, confiasse no meu bom gosto, ao menos! Não. Eu disse que não. EU DISSE QUE NÃO! Aliás, como você sabe deste link? A-ha! Andou mexendo em minhas coisas! Eu bem sabia que não poderia confiar em você... Como eu pude pensar em ter filhos com uma mulher que mexe nas minhas coisas? Quer saber. Quem não quer você... Ouviu? Até onde você ouviu? “Minhas coisas”? Minhas coisas... Minhas coisas... Ah sim! Você não tinha o direito de violar, violar! Escutou? Eu disse que você não poderia ter violado minha individualidade! Você desconfia de mim e isso é o fim. Porque um casal quando se ama, ouviu? Um casal quando se ama, um confia no outro e você não fez a sua parte, está me ferindo. Sim. Está. Como assim te chamei de guampuda? Eeeeu? Eu não. Tu é louca. Gente, você precisa de ajuda! Como eu não percebi isso antes? Alô? Alô?
Tempo de Mentir
A vida como ela é.
sábado, 3 de março de 2012
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
Do terreno e dos animais
Depois de um longo tempo, o coração de Guilhermina se tornara um terreno baldio. Uma vez que outra, passeavam os gatos com toda a exuberância e charme, típicas de gatos. Muitas vezes, apareceram cachorros, mas, aos montes. Muitos deles, abandonando o terreno baldio para correr atrás dos gatos mencionados. Até que um dia, neste terreno, apareceu, nada mais, nada menos, que um cavalo.
Era um cavalo crioulo e, pela idade, um “aporreado ”. Não foi apenas o relincho encantador, nem mesmo a raça pura que incentivou o crescimento verdejante do pasto do terreno abandonado, mas sim, pelo fato daquele cavalo ter ressuscitado o jardim florido que se perdera com o tempo, nos arredores do terreno em questão: colocava água nas plantas, visitava o terreno com freqüência, entre outras práticas aparentemente dóceis.
Certo dia, o cavalo ficou furioso e tinha hábitos desconhecidos. Bebia o que aparecia: água do vaso de flores, xampu de criança, ou o que oferecessem. Essas coisas desregularam o estômago eqüino que o fez adubar o terreno inteiro. Mas a composição química do adubo fez queimar o verde por ele gerado e o cavalo, daltônico, não distingue a cor verde do cinza.
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
Do caô de telefone
- E essas suas leituras, não acabam mais?
- Sim. Quando isso acontece, eu começo outras...
- Mas na vida tem tantas coisas bem melhores para se fazer.
- Jura? Tipo o quê?
- Ver uma TV, deitar descansadamente e tomar uma cerveja, como eu estou fazendo agora.
- Eu deveria odiar você por provocar. Mas eu continuo simpatizando contigo, muito, inclusive.
- Ah, é? E eu posso saber o porquê de você nutrir simpatia por mim? Han, han?
- Porque eu tenho dedo podre.
- ...
- Sim. Quando isso acontece, eu começo outras...
- Mas na vida tem tantas coisas bem melhores para se fazer.
- Jura? Tipo o quê?
- Ver uma TV, deitar descansadamente e tomar uma cerveja, como eu estou fazendo agora.
- Eu deveria odiar você por provocar. Mas eu continuo simpatizando contigo, muito, inclusive.
- Ah, é? E eu posso saber o porquê de você nutrir simpatia por mim? Han, han?
- Porque eu tenho dedo podre.
- ...
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
Do Aniversário do ex-mamãozinho com açúcar
É, mais um ano passou para você. Mais um outubro implacável nas suas costas. Creio que nos meses subseqüentes comecem a despontar rugas, dores nas costas, hérnia de disco, coisas que vêm com a idade sumariamente avançada, que é teu caso em relação a mim, pois recém brotei.
No dia do seu aniversário, as pessoas vão te dar presentes, ligar para você, com muita alegria e disposição. Espero que saiba compreender o verdadeiro motivo disso tudo. A verdade é que o aniversário significa uma aproximação do túmulo. Logo as pessoas podem estar comemorando seu aniversário com tanta felicidade, por isso que acabei de sintetizar. Suspeite de quem sorrir neste dia. Se alguém amasse você de verdade, faria luto e não compraria um bolo.
Pense nisso...
Com gotículas microscópicas de tristeza,
Guilhermina
domingo, 5 de junho de 2011
Do Sofrimento!
“Não, não e Não!” Diz a voz do pensamento de Guilhermina. “Como assim ‘não’? Por que não?!” Pensa Guilhermina. Este é o sofrimento da pobre moça pela segunda vez, pelo segundo rapaz. Guilhermina passa os domingos acumulando água nos olhos e quando embaciam suas vistas, ela pisca. Ao rolarem as gotículas de lágrimas pela face, sua amiga interroga a obviedade: “tá chorando?” Guilhermina movimenta com a cabeça um sinal positivo e segue olhando para a janela, triste e abatida.
Sua amiga, num gesto delicado, busca consolá-la com palavras:
- Poxa, tão difícil te ver assim. Um dia você vai encontrar alguém legal, que mereça você. Alguém que respeite toda a tua soberania, que esteja no mínimo aos pés do teu conhecimento e experiência de vida, que seja tão belo a ponto de concorrer à disputada vaga que é caminhar ao teu lado pelas estradas da vida... Enfim, alguém que saiba realmente com quem está! Então, levante essa cabeça, olhe-se no espelho e diga o quanto é uma pessoa linda e interessante!
Guilhermina direciona o olhar para a amiga e diz:
- Mas eu sei de tudo isso. Só estou sofrendo altruisticamente. Sofrendo por ele ter perdido uma pessoa como eu, entende? Sofro ao imaginar o sofrimento dele... Dói tanto!
sexta-feira, 27 de maio de 2011
Da lástima
E um dia você acorda sentindo quilos de neve dentro de si. Como se esta sensação térmica pudesse enrijecer todos os órgãos de dentro do seu corpo inclusive - e principalmente - seu coração. Então, você toma um chá de cidreira para quebrar o gelo e o pouco da neve derretida torna-se nada mais, nada menos, que lágrimas.
Aquele pranto que apavora quem está do lado, que preocupa sua família, que faz você imaginar que, ao abrir a porta se deparará com um gigante abismo, que faz você escutar o rasgo do seu coração, sentir pedradas no seu rosto, passa, pois paredes construídas com tijolos de mentira, não costumam ficar erguidas por muito tempo.
sexta-feira, 15 de abril de 2011
Do Final Trágico
E quando Guilhermina queria o Jorge, o Jorge queria Guilhermina, mas também queria Leandra. Dizia ardilosamente a Guilhermina que seu amor por ela era único, sincero, deveras encantador. Por Leandra, nutria simpatia.
Aqui eu, escritora, aviso que a história não terá um final feliz. Caso deseje continuar lendo este texto saiba, caro leitor, de que você gosta de uma desgraça estilo “perseguição aos judeus” ou “tsunamis”. Depois de concluído o texto, senti pena das personagens e pior do que ter uma mente maléfica como a minha, é você continuar lendo isso aqui... Mas voltemos ao texto: Guilhermina acreditara, graças à fraqueza desencadeada pela inocência, que recebia todo o amor que em Jorge depositara. Ele arrancava flores dos jardins alheios na madrugada para despertá-la, preferia sua companhia a de Leandra, cantava músicas tristes, cozinhava a receita dela e não conseguia se livrar de Guilhermina - muito menos de Leandra.
Foi quando Guilhermina decidiu acabar logo com aquela ladainha: terminou tudo para que ela pudesse ser feliz com outro homem, quando algum de verdade aparecesse.
Então, ao cair da tarde, o sol avermelhado no horizonte, no vazio da solidão, ao escutar seu coração trincando, morrendo de saudades, ele escuta ao pôr-do-sol: Guilhermina... Guilhermina... Guilhermina...
Então, ao cair da tarde, o sol avermelhado no horizonte, no vazio da solidão, ao escutar seu coração trincando, morrendo de saudades, ele escuta ao pôr-do-sol: Guilhermina... Guilhermina... Guilhermina...
O texto acaba por aqui, aliás, eu avisei que seria um final trágico, mas para Jorge.
terça-feira, 29 de março de 2011
Da piada bem contada
- Vou contar uma piada pra você!
- Ah... Outra...
- Como assim, não são legais as minhas piadas?!
- São, são. Claro que são. Mas eu não as entendo!
- Essa é clássica você vai entender.
- Vamos, conte a piada..
- Tá! Era uma vez dois pescadores em Santa Catarina. Estavam pescando, é obvio, e um disse para o outro "Chapecó?" e sabe o que ele respondeu?
- Sei.
- Ahh, deixa eu terminar! Aí ele respondeu "Xim"!
- Ele respondeu "Xaxim".
- Ah é.
- Ah... Outra...
- Como assim, não são legais as minhas piadas?!
- São, são. Claro que são. Mas eu não as entendo!
- Essa é clássica você vai entender.
- Vamos, conte a piada..
- Tá! Era uma vez dois pescadores em Santa Catarina. Estavam pescando, é obvio, e um disse para o outro "Chapecó?" e sabe o que ele respondeu?
- Sei.
- Ahh, deixa eu terminar! Aí ele respondeu "Xim"!
- Ele respondeu "Xaxim".
- Ah é.
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Da carta ao meu ex-amor III
Olá. Acredito que você já deva estar sentindo falta de ler minhas doces palavras, pois aqui estão elas. Quero que saibas que recebi outra provocação da sua estimada esposa: o convite para o chá de bebê.
Meu caro ex-companheiro, estou começando a suspeitar que estas provocações estão vindo de você. Afinal, o único elo que restou entre nós dois são essas cartas que remeto com o intuito de responder ao convites/novidades que vocês carinhosamente me enviam. E não me espantaria em saber que esteja saudoso das minhas linhas de raciocínio como forma de se aproximar até mim.
Antes de felicitar ao novo casal de pais que surge em nossa sociedade e de dizer que vocês estão contribuindo para o aumento da natalidade - e, consequentemente, esse aumento se refletirá nas despesas -, queria que você se certificasse que este filho é mesmo seu. Não que eu esteja duvidando da integridade de sua esposa, espero que não lhe tenha ocorrido isso primeiramente. Estava me referindo ao fato estar sendo corriqueiro, hoje em dia, a troca de bebês em hospitais, ainda mais em hospitais de cidades pequenas em que não devem existir segurança e coisas deste tipo.
Agora sim: parabéns ao casal. Muito embora eu ache isso tão fantástico, gostaria de lhe falar que sinto muito não poder presenciar a festinha que vocês organizaram para a vinda deste lindo bebê. Adoraria comer alguns croquetes, pasteis e tortinhas de limão – para intercalar aos canapés que servem em todos os lugares em que saio. Mas eu tenho uma coletiva de imprensa justamente no dia em que vou ir à Paris para outra coletiva.
Um grande beijo neste bebê que, cá entre nós, não tem culpa da idoneidade dos pais, não é mesmo? Abraços espaçados, Guilhermina.
terça-feira, 3 de agosto de 2010
Do Colega das Sociais
Era uma vez... Ou eram duas? Talvez umas três vezes, as artimanhas de um rapaz que cursava ciências sociais que parecia ser o bobo da corte da faculdade. Não havia uma aula que se passasse sem que ele deixasse de falar alguma coisa a respeito, e mais, quando apresentava textos, além de estourar o horário, saia terminando seu seminário pelos corredores...“Eu não vou beber no copo desse cardíaco. Vai que eu pego uma morte súbita? Hãhãhã [Esta foi uma tentativa de reprodução gráfica da sua risada. Ele sempre larga um hãhãhã depois que fala algo que diverte ele mesmo]”. Foi com esta célebre frase que Juliano argumenta, numa aula de Antropologia, o estigma gerado pelo vírus HIV. Em meio a risos, a colega mais aplicada da classe, sem conhecer o colega a fundo, diz em tom espantado “esse menino fala um monte de bobagens, mas sabe... Ele tem muita razão!”“Nem todo velho é coitadinho. Tem uma velha insuportável que mora embaixo do meu apartamento que chama o síndico quando coloco uma toalha para secar. Só porque pinga água na sacada dela!”hãhãhã. Isso foi na aula sobre estigma em relação à velhice.Todas as aulas a mão do “rei do gado sem gado” estava encostando-se ao teto, ele só queria complementar o assunto da aula dizendo “realmente, são acontecimentos muito complexos” e os colegas se entreolhavam.Juliano, numa certa aula de Antropologia visual, apresentou o tema mais descabido - na visão da autoridade acadêmica - para tratar sobre a solidão de um homem morador de um quilombo. Como se tudo fosse uma brincadeira, apresentou um dos melhores trabalhos. Ele disse que não consegue escrever, mas é porque não entendeu que ele escreve com uma câmera fotográfica.Esquisito, roupas diferenciadas, cabelo “acordei com preguiça de penteá-los”, óculos que ele não tirara do rosto. Não passava sem que alguém fizesse um comentário. A polêmica nos corredores da faculdade gerava em torno de sua resolução em usar lentes de contato – ele só queria era realçar o olhar – e não sobre o fato dele ter dado de comer – me refiro a levar comida – ao se objeto de pesquisa, seu Amaral.
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